BMW 520e Touring (fotos de João Apolinário)

Uma silhueta que todos reconhecem

O estilo intemporal da Série 5 Touring

Geração G20 do Série 5 tem variada oferta "plug-in"

O 520e é a versão "plug-in" mais acessível, com 204 cv

Condução muito suave e relaxante, mas também sabe divertir

Suspensão muito confortável é o ponto forte

Espaço não falta, mas o túnel central incomoda o passageiro do meio

Bancos muito confortáveis e com bom apoio

Qualidade no topo do segmento

Painel de instrumento digital podia ter gráficos mais modernos

Caixa automática de oito com motor elétrico integrado

Muito fácil de usar, o ecrã tátil central

Comandos da climatização estão separados mas são pequenos

Botões dos modos de condução ao lado da caixa

A bateria faz a mala reduzir de 560 para 430 litros

A BMW Série 5 Touring sempre foi a rainha das carrinhas, por oferecer o pacote mais completo de atributos. Com a versão “plug-in” mais acessível, a nova 520e, atualiza-se e reforça ainda mais os seus argumentos. Saiba o que ganhou com a eletrificação.

 

No mundo dos automóveis, há ícones que ficam para sempre e a BMW Série 5 Touring é um deles. Nenhuma outra carrinha consegue reunir um pacote de atributos tão completo como a maior das carrinhas da BMW.

Do espaço disponível no interior, passando pela qualidade, pelo conforto e pelo prazer de condução, nenhuma outra rival, entre as maiores carrinhas do mercado, consegue marcar tantos pontos.

O 520e é a versão “plug-in” mais acessível, com 204 cv

Esta última geração G20 levou tudo isso um degrau mais acima e graças às versões híbridas “plug-in”, que na gama são três: 520e (204 cv), 530e (292 cv) e 545e (394 cv).

As duas primeiras usam um motor 2.0 turbo de quatro cilindros a gasolina, no primeiro caso com 163 cv e no segundo com 184 cv. A mais potente tem um motor 3.0 turbo de seis cilindros em linha e 286 cv. Nos três casos, o motor elétrico é o mesmo, tem 109 cv e está alojado na caixa automática de oito relações.

A versão mais acessível

Depois de ter testado, há uns meses aqui no Targa 67 a versão 530e Touring (deixo o link no final do texto) agora foi a vez de testar a versão mais acessível, 520e.

A bateria de iões de Lítio de 12,0 kWh (11,2 kWh úteis) está alojada sob o banco traseiro e sob a mala. Não tira nada ao espaço habitável dos lugares de trás, que é muito bom para dois passageiros. O do meio tem um volumoso túnel ao centro.

A bateria fez a mala perder 130 litros, pois o piso está 70 mm mais alto

Mas a capacidade da mala desta Touring desce de 560 para os 430 litros, devido à subida do piso em cerca de 70 mm. Mantém, ainda assim, um compartimento sob o fundo. Mas os cabos estão numa bolsa separada. O depósito de gasolina também desce 22 litros, ficando-se pelos 46 litros.

A bateria carrega-se apenas em corrente alternada a um máximo de 3,7 kW, demorando 3h36 para uma carga completa. Numa tomada doméstica de 2,3 kW, demora cerca de 6h00.

Alta qualidade

A primeira impressão que tive assim que me sentei no lugar do condutor foi que o banco é muito cómodo, adaptando-se imediatamente ao formato do corpo. A segunda impressão é de que este é um dos melhor construídos carros do mercado.

A qualidade dos materiais está acima dos rivais alemães, a montagem não tem falhas e todo o estilo do habitáculo sublinha ainda mais este ambiente luxuoso.

Qualidade no topo do segmento

A ergonomia também continua muito boa, com o ecrã central tátil fácil de usar e a manter o tradicional comando rotativo i-Drive na consola, que a BMW usa há muitos anos. Os botões da climatização estão fora, o que é bom, mas são muito pequenos e difíceis de identificar.

O painel de instrumentos digital não levanta problemas de leitura, mas os gráficos podiam ser um pouco mais ousados, para um BMW.

Um modo de cada vez

Há três modos de condução: Electric, Hybrid e Sport. Começo pelo primeiro porque a bateria estava a 100% e o arranque é totalmente suave e silencioso. O motor elétrico faz mover as rodas motrizes traseiras, tal como o motor a gasolina e consegue tomar conta da situação até aos 140 km/h.

A sua resposta é muito boa, com o binário elétrico a disfarçar muito bem o peso do carro. Em cidade, esta carrinha de 4,963 metros acaba por ser mais fácil de guiar do que se poderia esperar. O raio de viragem de seis metros ajuda.

A direção tem o equilíbrio perfeito entre progressividade e tato, com uma assistência perfeita

A direção tem um equilíbrio perfeito entre progressividade e tato, com uma assistência perfeita. O pedal de travão não é muito linear na passagem da regeneração para a travagem efetiva, acabando por obrigar a uma pressão extra para imobilizar o carro.

Muito confortável, mesmo

Mas a estrela é a suspensão. Mesmo na versão mais simples, sem amortecedores ajustáveis, o conforto é excelente. A 520e Touring passa pelo mau piso com total desprezo, mantém a carroçaria estável nas lombas e não deixa passar nenhuma pancada para o habitáculo, mesmo quando passa por cima de buracos.

Os pneus de medida 245/45 R18 são um aliado inesperado para fazer chegar o conforto de rolamento a níveis realmente excelentes.

Botões dos modos de condução ao lado da caixa

O efeito de retenção nos momentos de regeneração é pouco intenso e não se pode ajustar. Talvez se fosse um pouco mais forte pudesse diminuir os consumos em modo elétrico e prolongar a autonomia.

Nos vários testes que fiz em cidade, o modo elétrico não foi além dos 34 km de autonomia, a partir da bateria com 100%, com o consumo a marcar 24,7 kWh/100 km. Não são valores fabulosos, nos tempos que correm…

Consumos com bateria a 0%

Quando a bateria passou a marcar 0% o sistema passa para o modo Hybrid, obtendo energia a partir da regeneração nas travagens e desacelerações. Fiz reset ao computador de bordo e iniciei o teste de consumos em cidade que me deu um valor de 7,1 l/100 km de gasolina.

Mas a 520e Touring tem uma clara apetência pelas autoestradas. E a experiência de a guiar nesses terrenos, mesmo dentro dos 120 km/h legais, mostra bem o domínio que a marca tem desta matéria.

O conforto continua a encantar, bem como a insonorização do motor a gasolina, que até tem um som melodioso. A caixa de velocidades faz função “bolina” com frequência, diminuindo ainda mais o ruído e os consumos, que se ficaram pelos mesmos 7,1 l/100 km, a 120 km/h.

São valores para uma utilização sem carregamento externo da bateria, o que não se aconselha num “plug-in”. Mas muitos utilizadores é assim que os usam.

O modo Save permite guardar a energia ou carregar em andamento, com aumento de consumo

Existe um modo “Save” que permite guardar a energia restante na bateria para usar mais tarde e também carregar em andamento. Fiz esta experiência, o que levou o motor a gasolina a gastar mais, como é lógico.

Usando vias rápidas, mas não autoestrada, circulando a velocidades entre os 80 e 90 km/h em modo de carregamento, foi preciso percorrer 35,5 km para a bateria passar dos 0% aos 50%, marcando então 19 km de autonomia e gastando uma média de 9,6 l/100 km.

Competente em modo Sport

Só faltava testar o modo Sport numa estrada secundária. É claro que a configuração desta versão não está virada para aproveitar o máximo de desportividade que o Série 5 pode oferecer. Mas, ainda assim, a experiência foi reveladora.

Em modo Sport, o sistema híbrido começa logo a carregar a bateria, para garantir que tem sempre os 204 cv de potência máxima combinada, quando o condutor acelera a fundo. E tem!

Muito fácil de usar, o ecrã tátil central

A resposta ao acelerador é muito rápida e linear, sentindo-se primeiro os 265 Nm do binário elétrico e depois o motor 2.0 turbo a gasolina a dar o máximo às 6500 rpm.

A aceleração 0-100 km/h está anunciada em 8,2 segundos. Não é algo super-entusiasmante, mas cumpre o seu papel com distinção e chega aos 218 km/h.

Tudo bem afinado

A caixa automática reage rapidamente à utilização manual através das patilhas fixas ao volante e a progressão é rápida o suficiente, não se sentido muito os 1975 kg.

A atitude em curva é bastante neutra, com os pneus a resistirem bem à subviragem nas entradas mais otimistas. A sensação de controlo e precisão é muito boa e dá confiança para explorar um pouco mais a dinâmica.

Os 350 Nm de binário máximo combinado vão todos para o asfalto, sem hesitações

Mesmo em pisos húmidos, a tração às rodas de trás mostrou-se muito boa, empurrando a entrada do ESC para situações de claro exagero. Os 350 Nm de binário máximo combinado vão todo parar ao asfalto sem hesitações.

Mas, quando se começa a pedir um pouco mais de velocidade em curva, logicamente a inclinação lateral aumenta e as transferências bruscas de massas mostram que o conforto é a prioridade.

Conclusão

A eletrificação, por via dos híbridos “plug-in” veio trazer à Série 5 Touring uma dose extra de suavidade, seja quando se conduz em modo elétrico, seja em modo híbrido. A verdade é que, mesmo com a bateria a marcar 0%, o sistema continua a contar fortemente com a parte elétrica e isso dá os seus resultados.

Francisco Mota

(fotos de João Apolinário)

BMW 520e Touring

Potência: 204 cv

Preço: 64 470 euros

Veredicto: 4,5 (0 a 5)

Ler também, seguindo o LINK:

Teste – BMW 530e Touring: adeus Diesel, olá híbrido “plug-in”!