O T-Roc colocou a fábrica a trabalhar 24 horas por dia

7/5/2022. A VW anunciou um reforço do investimento nas suas fábricas em Espanha, em vista da sua total eletrificação. E incluindo uma fábrica de baterias. Ao mesmo tempo, o silêncio em relação ao futuro da Autoeuropa continua.

 

Esta semana, Herbert Diess, o CEO da VW foi a Espanha visitar as fábricas do grupo a anunciou um reforço de mais 3 mil milhões de euros no investimento previsto para Espanha, no âmbito da eletrificação da produção.

Assim, os 7 mil milhões avançados em 2021 subiram para 10 mil milhões, com Diess a dizer que isso inclui a passagem das fábricas de Barcelona e de Pamplona para a produção de veículos 100% elétricos.

Confirmados para produção em Espanha estão as versões finais do Cupra Urban Rebel e do VW Life (ID.2), ambos já mostrados em forma de “concept-car” rolantes. Mas a VW deverá ter ainda uma versão B-SUV do ID.2 e a Skoda também se deverá juntar à festa.

Menos clara é a estratégia reservada para a Audi, neste segmento dos elétricos citadinos e da própria Seat. Seja como for, devemos estar perante o reeditar de um projeto similar ao do VW Up e derivados.

Um ecosistema

O CEO da VW quer um ecosistema completo em Espanha, o segundo maior produtor europeu de automóveis, desde a extração do Lítio à produção de células de baterias e finalmente dos automóveis.

A VW anunciou ainda a criação, em colaboração com a Iberdrola, de um parque de painéis fotovoltáicos para alimentar uma parte da fábrica de baterias, que vai ser construída em Valência.

Para a Gigafactory de Valência está prevista uma capacidade anual de 40 GWh

Para esta fábrica de células de baterias, foi anunciada uma capacidade anual de 40 GWh, com a produção a começar em 2026, altura em que dará emprego a 3000 trabalhadores.

6 Gigafactories na Europa

Esta fábrica de Valência inclui-se num parque de 6 fábricas de células de baterias que a VW planeia construir na Europa, visando um total anual de 240 GWh. A primeira será na Suécia, a segunda na Alemanha, a terceira é esta de Espanha e a quarta poderá ir para a República Checa.

A Skoda tem um peso cada vez maior dentro do grupo, não só pelo volume e subidas nas vendas, mas também pela elevada qualidade da produção local. Por isso, tem argumentos para defender a escolha do seu país como um dos que vão ser contemplados com uma Gigafactory.

Este plano de seis fábricas de células de baterias da VW insere-se num objetivo muito claro e que já foi anunciado por Herbert Diess: o grupo quer ser o primeiro produtor de automóveis elétricos no mundo.

Tesla já “assusta”?

Talvez os recentes números de produção da Tesla em 2021, ano em que terminou com quase 1 milhão de carros vendidos, quase o dobro do que tinha feito no ano anterior, tenha tido algum efeito na aceleração do plano da VW.

Tesla vendeu quase 1 milhão de carros em 2021, quase o dobro de 2020

Tanto mais que os números da Tesla vão certamente registar outra subida nos próximos tempos, quando as duas novas fábricas, na Alemanha e na China, estiverem a trabalhar e pleno.

E a Autoeuropa?…

Mas esta “guerra”entre Herbert Diess e Elon Musk parece não passar por Portugal. As notícias acerca do futuro da Autoeuropa continuam a ser escassas, para não dizer inexistentes.

O rumor mais persistente continua a apontar para a passagem da produção para veículos híbridos. Justificado pelo investimento anunciado de 500 milhões de euros para os próximos anos. Vinte vezes mais pequeno que o previsto para Espanha.

É certo que o mercado vai continuar a consumir este tipo de motorizações até 2035, de acordo com os desejos da Comissão Europeia.

Apesar de a produção de veículos 100% elétricos ser aquilo que todas as fábricas e todos os países desejam, por julgarem ser uma garantia de continuação dos investimentos a longo prazo, a verdade é que as marcas de automóveis vão continuar a precisar de híbridos.

Na verdade, vão ser as vendas de híbridos a continuar a ajudar a financiar o investimento nos 100% elétricos e os híbridos têm que ser feitos em algum lado.

Conclusão

A Autoeuropa tem uma excelente reputação dentro do parque de fábricas europeias do grupo VW, disso ninguém duvida. E a vários níveis. Mas não está na linha da frente da eletrificação, na região da Península Ibérica.

Francisco Mota

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Crónica – Autoeuropa: que futuro para a fábrica VW em Portugal?